Do Tratado de Madrid ao Tratado de Badajoz

          O Tratado de Madrid, celebrado a 13 de Janeiro de 1750, dispunha que Portugal entregaria a Colônia do Sacramento à Espanha, em troca do recebimento do território dos Sete Povos das Missões. Devido às dificuldades das demarcações e à resistência suscitada pela Guerra Guaranítica (1753-1756), as disposições do Tratado foram anuladas por um novo diploma, o Tratado de El Pardo, celebrado a 12 de Fevereiro de 1761. Nesta época o núcleo urbano da praça estava defendido por uma muralha de traçado poligonal irregular, abaluartada, constituída pelos:
  • Baluarte do Carmo
  • Baluarte de São João
  • Baluarte da Bandeira
  • Baluarte de São Miguel
          Cobrindo o lado de terra, onde se rasgava o portão de armas da praça. A coberto desta linha defensiva, erguiam-se os Quartéis, as Casas de Pólvora e os Corpos da Guarda. Pelo lado do rio, uma linha de canhoneiras (São Pedro de Alcântara e sua bateria) e a Bateria de Santa Luzia (Plano da praça e território da Colônia do Santíssimo Sacramento situada na margem setentrional do Rio da Prata na latitude de 34 gr. 28 min. 18 seg., 1762. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro).
          O contexto da celebração do Pacto de Família (1761) unindo os Bourbon da França, da Espanha, de Nápoles e de Parma acirrou a tensão entre Portugal e a Espanha. No contexto da Guerra anglo-francesa dos Sete Anos (1756-1763), permanecendo a Colônia do Sacramento em mãos de Portugal, esta foi novamente invadida por tropas espanholas sob o comando de D. Pedro de Cevallos (30 de Outubro de 1762), para ser devolvida em virtude do Tratado de Paris (1763).
          Em 1777, nova invasão espanhola por D. Pedro de Cevallos (30 de Maio), arrasou as fortificações da Colônia do Sacramento com a obstrução do seu porto (2 de Junho), vindo a atingir a ilha de Santa Catarina (3 de Junho). Ao mesmo tempo, na Europa, o Tratado de Santo Ildefonso (1777) restabeleceu as linhas gerais do Tratado de Madrid: a Colônia do Sacramento, o território das Missões e parte do atual Rio Grande do Sul eram cedidos à Espanha, que devolvia a ilha de Santa Catarina a Portugal.
          Finalmente, o Tratado de Badajoz (1801), assinado entre Portugal e Espanha no contexto das Guerras Napoleônicas acordou a paz entre os dois países na Europa, mas não ratificou o Tratado de Santo Ildefonso. Portugal permaneceu em poder dos territórios conquistados na América do Sul (as Missões e parte do atual Rio Grande do Sul, por voluntários, em 1801), fixando a fronteira sul na linha Quaraí-Jaguarão-Chuí.

Da incorporação da Cisplatina à Independência do Uruguai

Bandeira da Província da Cisplatina.
A Colônia do Sacramento voltou à posse de Portugal a partir de 1817, quando D. João VI incorporou toda a região do atual Uruguai aos domínios de Portugal, no actual Brasil.
Com a Independência do Brasil (1822), a Colônia passou a integrar os domínios do novo país até à Independência da República Oriental do Uruguai, em 1828.
O seu último comandante foi o brigadeiro Manuel Jorge Rodrigues, que só abandonou a praça no momento do estabelecimento da Convenção Preliminar de Paz entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (27 de Agosto de 1828), ratificado pelo Brasil em 30 de Agosto e pela Argentina a 29 de Setembro, e que chegou a Montevidéu em 4 de Outubro de 1828. Por este diploma, o Uruguai se tornava independente.

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